Agradeço
aos amigos e amigas que têm respondido ao meu apelo e ao de muitos
que escreveram neste espaço e em outros sobre o tema Seleção
Brasileira 2006. Acho muito importante que as pessoas se posicionem. Somente
assim poderemos modificar alguma coisa.
Mas
é preciso que se diga que a intenção de quem se posiciona
é muito importante. Você pode ter a intenção
de auxiliar no processo ou de simplesmente ser um “crítico”
daquilo que foi criado. Acho que o ato de criticar é bastante prejudicial
se a crítica não for embasada em uma proposta de solução
a ser apresentada, com uma boa dose de respeito pelo próximo.
Vamos
aproveitar algo que acontece neste site para falar mais sobre crítica.
Sempre que leio um artigo publicado neste site faço questão
de opinar no espaço reservado para isso em ”gostei”
e ”não gostei”. Confesso que meu faro para escolher
bons artigos, ou a qualidade e energia das pessoas que se encontram unidas
neste bem organizado clube, tem feito com que meu voto venha sendo sempre
positivo. Votar sempre em “gostei” seria até mesmo
temerário se levássemos em conta o que disse Nelson Rodrigues:
“A unanimidade é burra.” Mas, por enquanto, tenho aprovado.
Até mesmo, porque se uma pessoa se propõe a escrever, devemos
ter alguma consideração por sua iniciativa.
Então,
quero deixar uma pergunta. Por que muitas das inúmeras pessoas
que lêem os artigos aqui publicados simplesmente passam pelo texto
sem ao menos “dar uma força” para que a pessoa que
escreveu possa avaliar o que criou e saber o que pensam as pessoas sobre
o que foi dito? E não estou dizendo isso apenas em função
dos artigos que escrevo, porque se pode perceber que o mesmo acontece
nos artigos dos outros autores de uma forma bastante significativa. Será
preguiça, descaso, um certo egoísmo? Assim, se alguém
quiser iniciar a análise do fato, me dizendo o que acha sobre isso,
agradeço.
Voltando
à análise da crítica... Quanto ao título "CRIticAR
– tic = CRIAR: UMA EQUAÇÃO DE PROGRESSO", vem
do muito que gosto de pensar sobre as palavras. Analisando a palavra criticar
dessa forma descobri que ela está muito relacionada à falta
de criatividade de quem critica por criticar, no mau sentido mesmo, como
se o “tic” tivesse que sempre se intrometer no ato da criação.
Até porque, quem muito critica, via de regra, é quem pouco
ou nada cria. E isso vale também para a autocrítica, porque
se você se criticar muito vai acabar achando que o que faz não
vale a pena e acabará não fazendo.
Penso
que a crítica vem do medo de perder a estabilidade conquistada.
Portanto, o medo inibe a criatividade. Existe, em cada pessoa, um antagonismo
entre criticar e criar. As pessoas são naturalmente criativas,
porém uma grande quantidade delas é aficcionada em destruir
e em criticar, inclusive a si mesmas. Penso que nesta briga interior é
importante que se trabalhe para que a criatividade vença, pois
apenas dessa maneira a humanidade entrará em um rumo de progresso.
Cabem
aqui algumas considerações: penso que a criatividade mora
no inconsciente e quem a coloca para fora é a intuição
que é a etapa seguinte no processo da criatividade. Porém,
para que possamos aproveitar a intuição, é preciso
empenho e desenvolvimento de uma sensibilidade sadia.
Entre
os muitos corpos que possuímos encontra-se o corpo emocional que
está diretamente relacionado à nossa encarnação
atual e, portanto, tem a ver com os condicionamentos que adquirimos advindos
do meio exterior. Isso acaba gerando medos e baixa auto-estima. Conseqüência:
intuição prejudicada por falta de confiança em si
e nos desígnios Divinos.
Mesmo
que a crítica leve, muitas vezes, à solução,
a distância entre criticar e criar é muito grande e exige
uma infinidade de idéias criativas para cada fase, para que see
rompa a inércia das pessoas ou culturas corporativas não
muito habituadas a inovações. O caminho é fortemente
desestimulante para quem se acostuma a criticar e a ser criticado.
A
pessoa com bom potencial criativo pondera e conclui que um problema sem
solução, solucionado está, pelo menos até
que a resposta surja. Mas, se for muito condicionada, vai logo achando
que “não vai dar certo”. Fortalecer a crítica
de má intenção, aquela que surge não só
por maldade mas por autolimitação (a própria pessoa
acredita que não conseguiria e que, portanto, o outro também
não tem capacidade) imposta às novas propostas, é
estimular a inoperância, até mesmo a preguiça, tendo
em vista que esse tipo de atitude estimula a mesmice, o não criar
nada novo. As pessoas descarregam suas emoções de maneira
inadequada, simplesmente criticando e não aproveitam o potencial
maravilhoso dentro de si que é o das idéias darem certo,
da certeza de que cada passo é o passo imediatamente anterior à
solução. É muito melhor para nosso corpo emocional
e para nosso espírito que nos acostumemos com as pequenas vitórias
pessoais para que possamos cada vez mais estar aptos para as grandes vitórias,
aquelas que resultam no bem comum.
Para
que se mude essa cultura de crítica é preciso uma intensa
programação interior, com grande visibilidade, acompanhada
por “cerimônias” de premiação e gentileza
entre as pessoas. Vitórias são eventos que devem conter
um belo ritual. Da mesma forma que é mais saudável almoçar
em harmonia, preparando o próprio alimento e o ingerindo com calma,
também é mais apta a exercer sua criatividade a pessoa que
vive de forma harmoniosa e que vive o dom do contentamento. Somos melhores
quando libertos de condicionamentos, quando mais inteiros no agora.
Achemos
espaço para que a equação CRIticAR – tic =
CRIAR: UMA EQUAÇÃO DE PROGRESSO realmente se torne real.
Que possamos nos libertar daquilo que cada vez mais nos prejudica a sensibilidade,
tornando-nos impulsivos e nada criativos.
Também
cabe um recado àqueles que obtiveram algum diploma acadêmico
e que nisso se apegam para criticar os terapeutas holísticos. Não
se esqueçam de que mesmo as universidades, para serem criadas e
implantadas, precisaram ser imaginadas para só então saírem
do plano das idéias para o plano material. Assim, muito do que
foi descoberto ou criado não foi resultado da aplicação
do método científico sobre bases seguras, mas da coragem
de empreender. Sou físico e biólogo especializado em medicina
ayurvédica. Nem por isso posso dizer que falar sobre energia, sobre
como preservar a vida e a ecologia interior, seja atribuição
exclusiva de físicos, biólogos e terapeutas ayurvédicos,
respectivamente.
Está
aberto um debate e certamente voltarei a este assunto complexo e vibrante
por si só. Mas por enquanto gostaria de colocar algo em que realmente
acredito e que tem sido minha bandeira ao longo dos anos: A humildade
é a escada que leva ao Pai! Essa frase me ocorreu quando eu era
ainda adolescente e tem sido muito importante em minha caminhada pessoal
e no que venho tentando passar para as pessoas.
Oxalá,
possamos melhorar nossas vidas, nosso país e nosso planeta com
maior liberdade para a criatividade. E que as pessoas possam ter a certeza:
o comportamento egóico não leva a nada, senão à
perda de energia e ao descaminho.